Silvino Bezerra de Araújo Galvão, Coronel, nascido em (1836) e falecido em (1921), foi casado com sua prima Maria Febrônia de Araújo Galvão, união que reforçou os laços internos de uma das mais tradicionais famílias do Seridó potiguar. Figura de grande projeção e prestígio no Estado do Rio Grande do Norte, exerceu influência política e social que atravessou dois regimes distintos, a Monarquia e a República, adaptando-se com notável habilidade às transformações institucionais do país. No alvorecer da República Velha, alcançou posição de destaque ao ocupar o cargo de vice-governador, consolidando seu nome entre os principais líderes regionais de seu tempo. Foi pai de Silvina Bezerra de Araújo, entre outros descendentes, e tornou-se sogro de Juvenal Lamartine de Faria (1874–1956), que foi governador do Estado, filho de Clementino Monteiro de Faria e de Paulina Umbelina dos Passos, ampliando ainda mais a rede de alianças políticas e familiares. Na condição de avô, inscreveu-se tragicamente na memória histórica ao ser ascendente direto de Octávio Lamartine de Faria, mártir assassinado em (13/02/1935), vítima das práticas repressivas impostas sob a égide da ditadura Vargas, episódio que marcou de forma indelével a história política potiguar e a própria trajetória de sua família.
1. Coronel Silvino Bezerra de Araújo Galvão, que viria a exercer o cargo de Vice-Governador do Rio Grande do Norte, e descendia, por linhagem direta, do primeiro governante da Província, Tomás de Araújo Pereira, o que lhe conferia notável distinção genealógica. Contraiu matrimônio com o doutor Manoel José Fernandes, passando a adotar, após as núpcias, o sobrenome Araújo Fernandes, pelo qual passou a ser conhecida na vida social e familiar. Dessa união foi genitora de Antônio Bezerra Fernandes, de Maria Emérita Bezerra Fernandes, que permaneceu solteira, bem como de Maria Emérita Pires de Albuquerque Galvão, já em estado matrimonial, além de outros descendentes, integrando, assim, um tronco familiar de ampla projeção regional. Pela linha paterna, Maria Rosalina era neta de Cipriano Lopes Galvão Júnior e de Teresa Maria José. Seu avô, figura de relevo na história local, faleceu em Acari, aos 19 de junho de 1899, contando noventa anos de idade, após haver participado, ainda jovem, da legião seridoense que, em 1832, marchou contra o caudilho Pinto Madeira, episódio que marcou as lutas políticas e militares do período imperial. Pela linha materna, era neta de Antônio Pereira de Araújo e de Maria Jozé de Medeiros, o que reforça a convergência de estirpes tradicionais em sua ascendência, compondo uma biografia que se insere, de modo harmônico, no vasto painel histórico e genealógico do sertão norte-rio-grandense.
nasceu no seio de uma família de sólida projeção política, social e religiosa no Seridó, sendo filho do Coronel Manoel Bezerra de Araújo Galvão e de Ana de Araújo Pereira. Contraiu matrimônio com Francisca Umbelina Bezerra (1867/1959), filha do Tenente Thomaz Lopes de Araújo Galvão e de Maria Teodora de Jesus, união da qual se originou numerosa e expressiva descendência, responsável pela continuidade e difusão do sobrenome na região. Segundo o testemunho do genealogista José Bezerra de Araújo (n.1969), era conhecido pelo cognome de “Coquinho Júnior”, alcunha pela qual se tornou amplamente lembrado na tradição oral. Embora desprovido de formação acadêmica formal, destacou-se como verdadeiro juiz sem diplomas, dirimindo com equilíbrio e autoridade moral as questões locais que lhe eram confiadas, além de haver exercido o cargo de tesoureiro da Paróquia de Nossa Senhora da Guia, no município de Acari, no Rio Grande do Norte, função que evidencia sua inserção ativa na vida comunitária e religiosa. Do casamento com Francisca Umbelina Bezerra nasceram Sátiro Bezerra de Araújo Galvão (1886/1977), Hemetério Bezerra de Araújo Galvão (1888/1965), Manoel Bezerra de Araújo Galvão Neto (1891/1987), Philogônio Bezerra de Araújo Galvão (1892/?), Teodoro Bezerra de Araújo Galvão (1894/1984), Ana Bezerra Neta (1895/1977), Tomaz Bezerra de Araújo Galvão (1896/1979), Cipriano Bezerra de Araújo Galvão (1897/1963), Maria Bezerra de Araújo Galvão (1898/1934), Agnelo Bezerra de Araújo Galvão (1899/1980), Águida Bezerra de Araújo Galvão (1901/?), Cinésia Bezerra de Araújo Galvão (1902/1983), Júlio Bezerra de Araújo (1904/1997), Guilhermina Bezerra de Araújo Galvão (1905/1969), Valdertrudes Bezerra de Araújo Galvão (1906/1943), além de Francisca Bezerra de Araújo Galvão (1890/1981) e Júlio Bezerra de Araújo Galvão (1889/?), compondo um vasto tronco familiar cuja presença se projeta ao longo do tempo na história social, religiosa e genealógica do Seridó potiguar.
1. constituindo um núcleo familiar no qual a cultura, a memória e o compromisso com a terra sempre se fizeram presentes. Médico de formação, destacou-se como membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e da Academia de Medicina do Rio Grande do Norte, além de sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico, acumulando, paralelamente, a condição de fazendeiro, profundamente ligado à vida rural. Fundou o Instituto de Radiologia do Rio Grande do Norte, entidade médica de largo conceito no Estado, exerceu o magistério como professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e teve atuação relevante na vida política, cultural e acadêmica. Talentoso, foi político, folclorista, sertanista, historiador, genealogista, escritor e poeta, reunindo em si o arquétipo do intelectual sertanejo, por ele próprio simbolizado na expressão “o vaqueiro maranganha”. Exerceu o cargo de vice-prefeito de Acari e, no interregno entre 1996 e 2000, assumiu a chefia do Executivo municipal em diversas ocasiões, sempre gozando do respeito generalizado da população, inclusive de seus adversários políticos. Mantinha frequentes visitas à Fazenda Colonial Pinturas, propriedade histórica situada no município de Acari, herança de seus ancestrais, também ligada à linhagem do bisavô da jornalista Thaysa Galvão, sua prima, espaço que se converteu em verdadeiro santuário da memória sertaneja. Autor de cinco livros de literatura brasileira, alcançou o sodalício intelectual ao tornar-se imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras, eleito para a cadeira nº 12, em substituição a Oswaldo Lamartine de Faria. Seu estilo literário revela acentuada preferência pelo sertanismo e pelo regionalismo, dialogando, em espírito e temática, com a obra de Guimarães Rosa e de José Lins do Rêgo. No prefácio de seu último livro, o poeta Carlos Newton Júnior ressaltou que os textos de Paulo Bezerra compõem, na verdade, uma obra memorialística das mais importantes, não apenas para a literatura norte-rio-grandense, mas para a literatura brasileira. Notabilizou-se ainda pela publicação regular de artigos na página dois do jornal Tribuna do Norte, na coluna de Woden Madruga, nos quais relatava, com sensibilidade e densidade simbólica, a vivência do místico sertanejo e o cotidiano do homem do campo. Por essa razão, sua obra passou a ser objeto de estudo em universidades de todo o país, ocupando lugar de destaque ao lado dos grandes regionalistas consagrados da literatura brasileira, consolidando Paulo Balá como uma das mais expressivas vozes da memória, da cultura e da identidade do sertão do Seridó.
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