Graduado em Design de Produto pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo em 1989, Frederico Nicolau consolidou-se como um poliglota e erudito cujas andanças por diversos continentes e a residência em solo lusitano forjaram a base de sua vasta bagagem cultural.
Detentor de distintas condecorações, como as medalhas Amigo da Marinha, Santos-Dumont, Europeia Ad Honorem e Luís Gonzaga, sua autoridade é também referendada por diplomas de instituições militares de relevo, a exemplo da Base Aérea de Natal e do 17º Grupo de Artilharia de Campanha.
Entre 2008 e 2019, emprestou seu talento à Diretoria de Ensino e Pesquisa da Fundação Rampa, transcendendo o labor técnico para atuar como roteirista do documentário “Natal, Encruzilhada do Mundo” e coautor da obra “Cavaleiros dos Céus”, além de colaborar assiduamente com publicações especializadas em aviação tanto no Brasil quanto no exterior.
Especialista na história da Segunda Guerra Mundial, Frederico é um incansável investigador que, em 2013, mergulhou nos arquivos da University of Miami para desvelar o legado da Pan Am no Nordeste brasileiro. Sua presença em marcos comemorativos globais, como os 70 anos do Dia-D na Normandia e a Vitória da Força Expedicionária Brasileira na Itália, atesta seu compromisso com a preservação da memória militar.
Membro honorário da Força Aérea Brasileira e curador do Centro Cultural Trampolim da Vitória entre 2019 e 2023, sua perícia técnica alcançou o ápice em 2022 ao identificar destroços de aeronaves perdidas, como o Catalina do VP-83, tragédia de 1942, feito que ecoou na mídia nacional e rendeu-lhe o reconhecimento da Embaixada dos Estados Unidos.
Atualmente, Fred expande sua influência como palestrante da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e comentarista na Rádio 87 FM, onde versa sobre os meandros da história e da política contemporânea. Ingressando na Academia Potiguar de História e Cultura Militar em 2024, ele se prepara para uma nova expedição em 2025, visando localizar uma aeronave da FAB desaparecida em solo europeu ao término do grande conflito mundial.
Pesquisador de visão plural, não apenas desbrava os arquivos que narram o passado de Natal como escala estratégica da aviação mundial, incluindo o pioneirismo seridoense dos Lamartine, mas também dedica seu olhar atento ao fenômeno dos Objetos Voadores Não Identificados, unindo a investigação documental ao mistério do cosmos.
Essa sua vertente, que lhe conferiu o epíteto de ufólogo, revela um pesquisador atento aos fenômenos que desafiam a compreensão convencional, explorando as fronteiras entre a observação empírica e o mistério insondável de objetos voadores não identificados.
Sua metodologia transcende o mero colecionismo de relatos; Frederico debruça-se sobre o levantamento de evidências, a análise de padrões em documentos históricos e a rigorosa investigação ‘in loco’ em áreas de supostos contatos, buscando decifrar a natureza e a origem de tais manifestações.
Um exemplo notável de sua investigação acadêmica e de campo reside no estudo de caso ocorrido nos idos de 1996, nas cercanias do sítio Zangarelhas, em Currais Novos. Naquela ocasião, um ônibus que transportava estudantes egressos de Patos, na Paraíba, foi palco de uma experiência coletiva singular.
Sob o olhar atônito do motorista Bianor e de diversos jovens, um objeto esférico, sustentado por hastes metálicas e adornado por correntes, descendeu sobre um monte em movimento circular e silencioso, emitindo luzes multicores que mimetizavam o brilho do neon.
O temor religioso que se apossou das passageiras, em contraste com a descrição técnica dos observadores dianteiros, fornece a Nicolau o material humano e fenomenológico necessário para compreender os efeitos psíquicos e físicos desses eventos sobre as testemunhas.
A dedicação dele a tais episódios não é fortuita, mas sim uma extensão de sua curiosidade intelectual que já abarca a história da aviação potiguar e o pioneirismo seridoense dos Lamartine na década de 1920.
Ao investigar a comunidade Beira do Rio e outros locais marcados por registros similares desde os anos 1980, "Fredão" conecta o passado aeronáutico ao presente ufológico, consolidando-se como um especialista capaz de transitar entre os arquivos históricos das forças aéreas e os relatos contemporâneos de luzes que, ainda hoje, riscam o firmamento do Seridó.
A história dos fenômenos ufológicos em Acari, no sertão do Rio Grande do Norte, é registrada em um quadro mais amplo que singulariza o Brasil no cenário mundial da ufologia. Desde meados do século XX, multiplicam-se registros que atribuem ao território brasileiro, em especial ao Norte e ao Nordeste, a condição de epicentro de ocorrências de caráter agressivo e endêmico.
Diferentemente de outros países, aqui os relatos não se restringem a aparições luminosas distantes, pois envolvem traumas, sequelas físicas, distúrbios psicológicos e, em casos extremos, incapacitação e morte. Tal intensidade despertou a atenção de pesquisadores estrangeiros, como o norte-americano Bob Pratt, que visitou o país treze vezes, elegendo os episódios nordestinos como os mais impactantes de sua investigação.
Ainda que registros semelhantes também tenham sido relatados no Peru e na Venezuela, é no Brasil que a recorrência e a gravidade assumem proporções singulares. Um dos padrões mais consistentes observados é o comportamento evasivo dos objetos luminosos em relação às áreas urbanas.
Testemunhas em diferentes Estados confirmam que tais fenômenos se manifestam sobretudo em zonas rurais, afastando-se sempre que se aproximam de vilas e cidades. Esta característica, descrita também em ocorrências recentes no Peru, encontra eco nas experiências documentadas em Acari. Foi ali que Bob Pratt concentrou parte de sua investigação entre 1990 e 1991, registrando casos que se tornaram emblemáticos.
Um deles envolve o jovem Gerinaldo Danes, de dezoito anos, que, ao regressar de bicicleta para casa, no sítio Ingá, deparou-se com uma esfera multicolorida descendo das montanhas. Seu aparelho de som portátil entrou em colapso e, tomado pelo pavor, o rapaz buscou abrigo sob uma árvore. Da esfera emanavam ondas de calor e frio, contrastantes e intensas, a ponto de temer que a árvore fosse incendiada.
Pouco depois, um estrondo sacudiu o ambiente, e o vegetal, até então viçoso, tombou sobre a cerca. A cena foi parcialmente confirmada por Dona Sebastiana Salles, que descreveu ter visto uma esfera azulada, faiscando eletricidade. Ao amanhecer, constatou-se que a árvore, verde e sadia, apresentava fibras queimadas e estranhos arranhões, como se houvesse sido marcada por garras invisíveis. Apesar do assombro, Gerinaldo não sofreu sequelas.
Outro protagonista das investigações foi José Garimberto, conhecido como Bebeto, caminhoneiro responsável pela distribuição de água na zona rural. Entre 1990 e 1991, relatou mais de trinta avistamentos, alguns em companhia de sua equipe, ao ponto de um funcionário pedir demissão diante do pavor.
Em dezembro de 1990, descreveu uma esfera incandescente de cor alaranjada que pulsava silenciosamente antes de persegui-lo em zigue-zague, acompanhando seu veículo até as proximidades da cidade, de onde se afastou em direção às serras do Major e Pai Pedro.
Em outra ocasião, testemunhou uma estrutura com uma espécie de janela luminosa, de onde se desprenderam dois objetos menores que se dispersaram no céu. Se bem que tenha retornado ao local em busca de sinais físicos, nada encontrou além da lembrança vívida da experiência.
Os relatos de Acari, entretanto, não se restringem à década de 1990. Já em 1978, os irmãos Iberê e Hiroíto Galvão, netos de Adonias Galvão de Florânia, afirmaram ter sido perseguidos por um disco luminoso enquanto retornavam de jipe ao sítio, experiência semelhante à vivida, no mesmo mês, por Fernando Etelvino, que pescava no Açude Gargalheiras e terminou por se refugiar na caatinga, chegando à cidade exausto, arranhado e com as roupas em farrapos.
Mais recentemente, desde 2013, o senhor Valdemar, morador da mesma residência onde vivera Gerinaldo, tem observado fenômenos frequentes, alguns presenciados por toda sua família. Relata luzes que surgem no período das festas juninas, algumas vezes confundidas com incêndios, outras descritas como globos incandescentes de dimensões desproporcionais.
Curiosamente, ao contrário de muitos, Valdemar não manifesta temor, mas sim desejo de contato, afirmando aguardar o momento em que possa, de algum modo, compreender ou se comunicar com tais presenças.
A recorrência desses episódios, documentados em diferentes décadas, compõe um mosaico que transcende o anedótico. Os fenômenos descritos em Acari revelam um padrão: a preferência por zonas rurais, os efeitos fisiológicos e psicológicos sobre as testemunhas e a imprevisível combinação de fascínio e temor que suscitam.
Apesar da gravidade de muitos relatos, a investigação ufológica na região ainda enfrenta carências: poucos grupos, recursos limitados e vastidão territorial dificultam uma análise sistemática.
Nesse diapasão, os testemunhos de Acari não são meros episódios isolados, mas fragmentos de uma declaração mais ampla, em que o Seridó emerge como palco privilegiado de manifestações luminosas cuja natureza permanece indeterminada. Registradas por estudiosos e transmitidas pela memória oral, essas ocorrências continuam a interpelar a imaginação popular e a desafiar a ciência, compondo um capítulo peculiar da história contemporânea do Brasil.

Comentários
Postar um comentário