Registra-se, ainda, a existência de descendentes em Itauá, notadamente um neto de um Antônio Pereira, filho de Chico Bezerra, atualmente nonagenário, cuja memória constitui uma das últimas fontes orais diretas dessa linhagem. Também se destaca a família Pires de Medeiros, cujas conexões extrapolaram os limites do Seridó, alcançando Minas Gerais e Goiás. José Pires de Medeiros, pai de Marlene, viveu por longo período nessas regiões, onde exerceu a atividade de vaqueiro a serviço de seu cunhado Paris Leonda, esposo de Dona Banho. Posteriormente, ao regressar de Goiás, adquiriu propriedade rural que não provinha de herança direta, mas de negociação legítima, passando a constituir o patrimônio atualmente administrado por sua filha. Outros núcleos familiares merecem menção, como o de Antônio Florense, capitão e sobrinho de Lulu da Areia, cuja descendência seguiu por meio de Antônio Evangelista, e o de Antonino Porfírio, irmão de Joaquim Teônio, citado em registros históricos como estudante em Recife, o que atesta a mobilidade e a inserção educacional de membros dessas famílias. A análise territorial revela cenário de progressiva transformação e perda material. Grande parte das casas edificadas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX foi demolida, restando apenas vestígios. No Riacho da Areia, em Currais Novos, a antiga residência de Cid Lulu da Areia, cujas paredes eram descritas como espessas e robustas, foi derrubada ao final da década de 1970 por um descendente conhecido como “seu Eli”. Atualmente, subsistem apenas tapeiras, silenciosos testemunhos de um passado que já não se impõe na paisagem. Quanto à fazenda administrada por Marlene, sabe-se que pertencera inicialmente ao Capitão Antônio Florense, passando a seu filho Antônio Evangelista. A posse posterior, entretanto, não decorreu de sucessão direta dos Pires de Medeiros, mas da aquisição efetuada por “Madeirinha” junto à viúva de Antônio Evangelista, Odete, filha de Antônio Pereira da Soledade. Por fim, no tocante ao desenvolvimento urbano regional, observa-se contraste entre cidades do Seridó. Currais Novos é frequentemente descrita como urbe limpa, organizada e bem estruturada em comparação com outras localidades da região. Assú, por sua vez, apresenta maior população e extensão territorial, situando-se possivelmente entre a nona e a décima primeira posições no estado em termos demográficos, embora haja divergências quanto ao seu grau de organização urbana. Assim, entre memórias familiares, ruínas silenciosas e registros por vezes ilegíveis, delineia-se o esforço contínuo de reconstrução histórica que busca preservar a identidade e a continuidade cultural do Seridó.


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