Tapuias, Seridó e as Origens do Geoparque

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O texto fornece um amplo panorama sobre a história e a arqueologia da região do Seridó, no Nordeste do Brasil, com foco nos povos indígenas e vestígios pré-históricos. A discussão inicial foca nos Tapuias (Tarairius), descrevendo seu papel estratégico como "aliados infernais" dos holandeses durante a ocupação neerlandesa (1630–1654) e listando seus sete principais subgrupos. Em seguida, o texto aborda a ocupação milenar da área, mencionando a mais antiga datação de enterramentos humanos no Seridó, estimada em cerca de 10 mil anos, período em que os habitantes conviviam com a megafauna extinta. A análise arqueológica detalha a Subtradição Seridó e a Tradição Itaquatiara, enfatizando as pinturas rupestres que retratam cenas de caça e rituais, sugerindo uma estrutura social hierárquica. Por fim, o documento ressalta a importância contemporânea da região, detalhando a iniciativa de criar o Geoparque Seridó para a valorização e preservação de seu vasto patrimônio geológico e cultural.

apuias e as Origens do Seridó

Este briefing detalha os principais temas e fatos das origens do Seridó, com foco nos Tapuias (Tarairius) e na rica história pré-colonial da região, culminando nos esforços contemporâneos para o reconhecimento e preservação de seu patrimônio.

1. Os Tapuias (Tarairius) e o Contexto Histórico

·         Aliados Estratégicos e "Infernais": Durante a dominação holandesa no Nordeste (1630-1654), os Tapuias, também conhecidos como Tarairius, foram apelidados pelos neerlandeses de "aliados infernais". A Companhia das Índias Ocidentais considerava "essencial atrair e manter a amizade desses povos, chamados por eles de 'brasilianos'".

·         Função Militar: Os Tapuias tinham um papel estratégico, protegendo as fronteiras a oeste das áreas holandesas contra tribos hostis e "luso-brasílicos insatisfeitos com o domínio neerlandês".

·         Declínio da Aliança: A partir da década de 1640, a aliança começou a ruir devido à restauração do trono português (1640) e ao início da Insurreição Pernambucana (1645), que enfraqueceram o Império Holandês no Brasil. Este período foi marcado por eventos trágicos como os massacres de Cunhaú e Uruaçu.

·         Presença Pré-Portuguesa no Seridó: Os Tapuias habitavam o Seridó "antes mesmo da chegada dos portugueses no século XVIII — e muito antes da chamada 'Guerra dos Bárbaros'".

·         Subdivisões e Características: Os Tapuias eram divididos em sete grandes grupos: Canindés, Jenipapos, Sucurus, Cariris, Pegas, Janduís e Camaçu. Eram "conhecidos pela estatura elevada, força física, destreza na guerra e traços firmes", sendo considerados "guerreiros temidos em todo o sertão". Entre si, denominavam-se Otshicayaynoe.

·         Patrimônio Indígena Atual: Atualmente, o Brasil possui "cerca de 305 povos indígenas que falam aproximadamente 270 línguas", e suas terras são "patrimônio cultural e étnico milenar, anterior à própria formação do Brasil".

2. Ocupação Pré-Histórica do Seridó

·         Antiguidade da Ocupação: Entre o fim do Pleistoceno e o início do Holoceno, grupos de caçadores ocuparam a região. No município de Parelhas, foi registrada a mais antiga datação por radiocarbono de enterramentos humanos do Seridó, estimada em "cerca de 10 mil anos".

·         Megafauna Extinta: Os primeiros habitantes "conviveram com espécies hoje extintas de megafauna, como tigres-dentes-de-sabre, mastodontes, paleolamas, preguiças gigantes e tatus gigantes".

·         Arte Rupestre - Subtradição Seridó: As pinturas rupestres do Seridó são atribuídas à "Subtradição Seridó", uma "expressão visual de um universo simbólico primitivo". Elas representam "pirocas (embarcações rudimentares), objetos e ornamentos corporais, além da representação de plantas, compondo cenas que sugerem paisagens". Temas recorrentes incluem caça (veados, emas, tucanos, onças, araras e capivaras), danças rituais e jogos.

·         Hierarquia Social: A sociedade associada à Subtradição Seridó apresentava "estrutura estritamente hierárquica, evidenciada pela representação de figuras antropomorfas com cocares, indicativos de alta posição social".

·         Tradição Itaquatiara: Também foram encontrados registros da "Tradição Itaquatiara", com "grafismos puros e sinais como tridígitos, círculos, linhas e quadrados", reforçando a hipótese de que o território "foi ocupado por diversas levas de povos pré-históricos em períodos distintos, originando posteriormente diferentes tribos indígenas".

3. Reconhecimento e Preservação no Presente: O Geoparque Seridó

·         Iniciativas Científicas e de Preservação: A relevância histórica e natural do Seridó Potiguar está sendo reconhecida e sistematizada através de projetos de preservação.

·         Cadastro de Geossítios: Um marco é o trabalho "Cadastro de Geossítios no Seridó Potiguar (Nordeste do Brasil) para embasar proposta de criação de um geoparque", elaborado pelo professor e geólogo Marcos do Nascimento (UFRN) e por Rogério Ferreira (CPRM). Este inventário, concluído no início do ano, é o "primeiro passo para a criação do Geoparque Seridó".

·         Conceito de Geoparque: Um geoparque é uma "modalidade inovadora de ordenamento territorial baseada no conhecimento geológico e voltada para a valorização e preservação do patrimônio natural e cultural".

·         Abrangência do Geoparque Seridó: A proposta cadastrou "25 geossítios distribuídos pelos municípios de Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, São Vicente, Florânia, Caicó, Cruzeta, Acari, Carnaúba dos Dantas, Jardim do Seridó e Parelhas", abrangendo uma área aproximada de "seis mil quilômetros quadrados".

·         Objetivos: O geoparque visa integrar "ciência, educação, turismo sustentável e desenvolvimento socioeconômico para a região".

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