JOÃO SOARES DE MACÊDO
Nasceu em 24 de junho de 1859, na
então povoação de Serra Negra. João Soares de Macêdo Sobrinho foi o seu
nome completo durante décadas, até deixar de usar o agnome Sobrinho.
Foram
seus pais o coronel Antônio Soares de Macêdo e dona Ana Senhorinha de Macêdo
(Naninha). Recebeu o sacramento do batismo em 26 de junho daquele mesmo ano, pelas mãos do
reverendo Manoel José Fernandes, tendo como padrinhos Luiz Correia de Araújo Furtado
e Clara Maria de Araújo Furtado.
Seus avós
paternos eram o capitão Pedro Soares de Macêdo (de nacionalidade portuguesa) e
a assuense Ana Tereza Soares de Macêdo. Por sua vez, João era neto materno do capitão
Manoel Pereira Monteiro (terceiro do nome) e de Maria de Jesus José da Rocha.
Com três anos de idade incompletos ficou órfão de
mãe, vítima de cólera-morbus, em
25 de maio de 1862. O seu genitor, já casado em segundas núpcias, voltou
a residir em sua terra natal,
Assú, em 1870.
No final
de 1872, foi matriculado no Ginásio Pernambucano. Na Veneza brasileira, ainda estudou no Convento São Francisco e no
Colégio Santo Afonso, até retornar
a Assú, em 1875.
Adquiriu
consideráveis conhecimentos na área humanística, com sólidas noções de latim e francês, inclusive. Voltando
à terra das raízes paternas, foi um dos redatores do Brado Conservador, um dos principais jornais da província e propriedade do
seu digno pai.
Casou-se aos 21 anos de idade, em 5 de outubro de 1880, na
Fazenda Rezende, em Patos, PB, com Elvira dos Passos Dantas Wanderley, filha
dos seus primos Francisco Pereira Monteiro Wanderley e Josefa dos Passos Dantas
Wanderley. A partir de novembro daquele ano, passou a residir em Serra Negra,
precisamente na Fazenda Dinamarca, pertencente ao seu genitor.
Viúvo em 7 de janeiro de 1886, celebrou
novo consórcio nupcial com a sua cunhada Senhorinha dos Passos Dantas
Wanderley, em 4 de fevereiro
de 1887. Ficou novamente viúvo em
5 de maio de 1900.
Em 29 de maio de 1902, na matriz de
Serra Negra, contraiu terceiro matrimônio com a sua parenta Ana Maria da
Anunciação, filha de Manoel Antônio de Faria e Maria Senhorinha dos Anjos –
antigos senhores da Fazenda Aroeiras.
Ao todo,
gerou 26 filhos, dos
quais 21 sobreviveram à
primeira infância.
Na vida
política, exerceu o comando administrativo de Serra Negra do Norte, em 1891, como
Presidente da Intendência, o
que seria equivalente ao hodierno cargo de prefeito municipal.
Sua inicial
fonte de rendimentos foi a pecuária bovina. Além disso, foi chefe da Mesa de
Rendas da vila de Serra Negra (correspondente à função de auditor fiscal),
advogado (com provisão do Tribunal do RN para atuar nas Comarcas de Assú, Caicó e Jardim),
subdelegado de polícia do Termo de Serra Negra (cargo que correspondia ao de
delegado daquela localidade), promotor de justiça na comarca com sede em Caicó
(por mais de uma ocasião), professor e funcionário da Inspetoria Federal de
Obras contra as Secas – IFOCS (mais tarde denominada DNCOS).
Em
determinado momento, nas suas atividades políticas e sociais, foi denominado
pelos adversários da imprensa do Seridó como “alter ego do capitão Antônio Pereira Monteiro”, tamanha era a sua
aproximação com o tio e
compadre, maior pecuarista seridoense daquele tempo.
Guarda a
tradição oral que, na missão de advogado, muitas vezes atuou gratuitamente em
favor dos mais humildes. Foi, ainda, homeopata e teve a feliz ventura de
auxiliar nos santos
serviços do altar divino, durante anos, na condição de sacristão, na Paróquia
de Serra Negra.
Como não
raro acontece aos detentores de muitos bens de fortuna, distraiu-se com os
atrativos efêmeros, deixando-se levar pela compulsão por
jogo de cartas. Nessa
tristonha e destrutiva prática, escapou-lhe das mãos o valioso
patrimônio – gados e terras.
No entanto, um bem estava a salvo: o tesouro
da fé. Arrependido, mudou de vida e se soergueu espiritual e moralmente. Intrépido,
seguiu a estrada do catolicismo com toda a força do seu entendimento.
Tornou-se
perseverante e assíduo à
fiel observância da vida cristã, rezando o terço de Nossa Senhora e assistindo à santa missa com frequência.
No campo
intelectual, bem sabia que fé e razão são harmônicas: estudava assuntos relacionados
aos dogmas do Credo que devotamente professava. Tornou-se versado em abalizados
argumentos para defender a sua fé, inclusive acerca do comunismo e do
protestantismo.
Mudou-se para Assú, em 1923. Aqui, colaborou,
como jornalista, no periódico Jornal do
Sertão (com circulação de 1928 a 1930) que era dirigido pelo médico e líder
político Pedro Soares de Araújo Amorim, seu primo e grande amigo.
Publicou,
usando o pseudônimo de João da Cruz,
um folheto em versos intitulado Facit
Indignatio Versum (A indignação faz brotar o verso). Obra na qual relata os
tenebrosos fatos políticos que marcaram o ano de 1935, em Assú. Ano fatídico, quando houve
perseguições, surras, arbítrios e assassinatos em vários locais do Rio Grande
do Norte – tudo capitaneado por quem comandava o Executivo Estadual.
Na sua
dedicação à Santa Igreja Católica, realizou conferências religiosas, tanto em Assú quanto em Serra Negra do Norte. Nesta, promoveu duas: a
primeira sobre os Sete Sacramentos e
a segunda sobre o Primado de Pedro,
nos dias 6 e 8 de
setembro de 1938, respectivamente.
Acalentado
pela tranquilidade espiritual dos sacramentos, fez a sua páscoa definitiva no
dia 17 de setembro de 1954, aos
95 anos, 2 meses e 23 dias de vida, em Assú, onde foi sepultado.
Comentários
Postar um comentário