GREGÓRIO SOARES DE MACÊDO
Nascido
em 25 de fevereiro de
1908, em Timbaúba dos Batistas, quando o seu pai era dirigente de uma escola em
Tapuia. Contudo, em seu registro civil, figura como natural de Serra Negra do Norte. Batizado pelo
vigário de Caicó, Cônego Emídio Cardoso, em 6 de março seguinte, na casa do senhor Manoel
Clemente, na mesma Timbaúba, teve como padrinhos Gentil Homem de Araújo e
Engrácia Regina de Araújo.
Eram seus pais o professor, advogado
e ex-presidente da Intendência de Serra Negra do Norte João Soares de Macêdo e dona Ana Maria Soares
de Macêdo. Foram seus avós paternos e maternos, respectivamente: o coronel Antônio
Soares de Macêdo e Ana Senhorinha de Macêdo; e Manoel Antônio de Faria e Maria
Senhorinha dos Anjos – o primeiro natural de Assú e os demais de Serra Negra e pertencentes à
família Pereira Monteiro.
Morou no
Seridó até os 15 anos
de idade, quase sempre em Serra Negra, até os genitores transferirem residência
para Assú, em junho de
1923.
Ainda
jovem, aprendeu a técnica da mecânica dos moinhos a vento e tornou-se mestre
nos serviços hidráulicos, sobretudo na esfera da irrigação. Nesse ofício, notabilizou-se.
A partir da sua inteligência nata, deixou transparecer a indubitável vocação
para a engenharia mecânica, caso tivesse sido contemplado com a oportunidade de
chegar aos bancos da academia.
Casou-se em 31 de dezembro de 1940,
com Rita Medeiros de Macêdo, nascida no município de Florânia, em 31 de dezembro de 1910, filha de Manoel Xavier de Medeiros e
Leonila Rosalina de Jesus. Os neocasados
foram residir na Fazenda Baldum (então território de Santana do Matos, mas a
poucos quilômetros de Assú), depois na Fazenda Bom Fim, em Angicos. Até que,
por volta de 1949, fixaram-se em Entre Rios, propriedade limítrofe à cidade de Assú, na condição de
arrendatários de uma porção de terras pertencente a familiares.
Foi
nomeado serventuário público municipal, todavia não se desligou das lides
campesinas. No seu honesto labor, dentro do seu limitado alcance, abraçou a
agricultura, a criação bovina e o extrativismo da palha de carnaúba.
Com a
venda dos seus semoventes, o casal adquiriu a propriedade até então arrendada.
Anos após, dessa vez sem se desfazer de nenhuma rês, comprou a porção anexa.
O sítio
tornou-se sinônimo de trabalho e operosidade, produzindo gêneros para a
manutenção da prole, com o aproveitamento da fertilidade do solo varzeano e a boa
utilização da água subterrânea. No amanho da terra e no trato do gado, montou cercas, perfurou
cacimbões, cultivou algodão, semeou fruteiras, plantou roçados, vazantes e
capineiros.
Reconhecendo
o valor da argila de Assú,
na sua propriedade desenvolveu a produção artesanal de telhas e tijolos,
fazendo da olaria uma fonte de renda, sempre zeloso e pontual nos compromissos para
com os seus trabalhadores. Entre as décadas de 60 e 70 do último século, boa parte
das edificações da cidade de
Assú foi erigida com tijolos e telhas da sua produção. O seu nome
consta, inclusive, no Cadastro
Industrial, 1965: Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, do Instituto
Brasileiro de Estatística, publicado em 1968: “Telhas e Tijolos. Gregório
Soares de Macêdo. Faz. Entre Rios”.
Ainda que
no âmbito do subconsciente, foi
um dos primeiros a antever o potencial ceramista que guindaria o Vale do
Açu no cenário brasileiro.
A sua vivenda
no Entre Rios,
desprovida de sofisticação,
mas abundante em fartura e acolhimento, foi um pálio sob o qual sempre foi profusa a hospitalidade em favor de parentes,
afilhados, amigos, romeiros (que sazonalmente se deslocavam para os santuários do Ceará) e até
desconhecidos.
Dotado de
prodigiosa memória, tanto para fatos remotos quanto para recentes, era capaz de esmiunçar e explicar os
entrelaçamentos familiares dos Pereira Monteiro, Faria e Mariz, embora há
décadas ausente da terra onde cresceu, como nos testemunha o parente e amigo
Carlos Aladim de Araújo.
Tão trabalhador quanto destemido,
a altivez dos desbravadores das Espinharas e de Assú ainda lhe era pulsante n’alma. Tanto que exercia
o seu direito natural da autodefesa, portando a sua pistola mauser, de fabricação alemã – costume
que era comum aos sertanejos do seu tempo.
Além de devoto de Imaculada Conceição, sempre
trazia no bolso, em um
invólucro de metal, uma minúscula imagem prateada de Santo Onofre. Não foi
homem de letras, mas amava a genealogia e a história, tendo o célebre livro HISTÓRIA DO IMPERADOR CARLOS MAGNO E DOS DOZE PARES DE FRANÇA,
talvez, como o seu
predileto.
A
exemplo do Patriarca de Nazaré, que era da linhagem real de Davi, Gregório, na
sua vida modesta, deu uma autêntica prova de que, mesmo sem desempenhar altas funções de
Estado, o homem comum que traz consigo o legado moral dos antepassados, desde
que não se desvie da senda da dignidade, faz reluzir, no estado em que Deus o
colocou, a nobreza dos seus ancestrais.
Embora
de família marcada pela longevidade, entregou a alma a Deus aos 69 anos de
idade: a morte o alcançou antes do outono da existência, esvaiu-se a sua vida terrena
quando se preparava para colher os merecidos frutos semeados na mocidade. Era o
dia 30 de abril de 1977, um sábado. O prefeito de Assú, Sebastião Alves Martins, decretou luto
oficial no município.
Foi
leal à legião dos amigos que granjeou. Um deles, o professor, ex-vereador e
secretário da Câmara Municipal, João Inácio Pereira Neto (de venerável memória), sugeriu e providenciou que
o seu nome fosse perenizado, denominando, assim, uma das ruas de Assú.
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